A educação profissional é um dos princípios que estruturam a Política de Atendimento Socioeducativo da Funase-PE, em acordo com o marco regulatório nacional. Regida pelo entendimento constitucional de que as instituições de atendimento deverão atuar como articuladoras entre os esforços do Estado e da sociedade civil organizada, para garantir o atendimento integral das necessidades dos sujeitos, a Fundação de Atendimento
Socioeducativo realiza um trabalho permanente de articulação com organizações públicas e privadas. Assim, reúne as condições necessárias para viabilizar a educação profissional aos socioeducandos.
O princípio da incompletude impõe o desafio da atuação em rede, que é também o desafio de superar o medo e o descrédito social que envolvem os adolescentes e jovens em conflito com a lei e as instituições encarregadas de executar o atendimento socioeducativo. Nesse sentido, cada telefonema e e-mail, cada reunião e visita técnica, cada acordo de cooperação e convênio assinado, possuem um valor que excede a inserções de socioeducandos em cursos profissionalizantes ou em programas de aprendizagem e de estágio. É o valor da sensibilização das pessoas e instituições com as quais fazemos contato, apresentando a instituição, as
medidas socioeducativas e os adolescentes e jovens que são atendidos pela Funase-PE. Essa sensibilização, mais do que abrir vagas, abre as portas para a desconstrução da visão negativa que pesa sobre a socioeducação e os socioeducandos.
Ao longo do tempo, a Funase vem acumulando parcerias bastante exitosas, a exemplo das que foram firmadas com o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), com o Instituto Federal do Sertão (IF-Sertão) e com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) – que modularam cursos voltados para a qualificação profissional do público atendido pela Fundação; com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) – que vem realizando inúmeros treinamentos de artesanato em couro, tecido, cerâmica e material reciclável; com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) – que vem ofertando cursos de qualificação profissional na área automotiva, de alimentos, construção civil, eletroeletrônica, dentre outras; com a Escola Dom Bosco de Artes e Ofícios – que vem ofertando cursos na área gráfica; com o Banco do Brasil – que em uma ação integrada com o Centro de Recondicionamento de Computadores do Marista, vem implantando telecentros nas unidades de atendimento da Funase; com o Centro de Integração Empresa Escola (CIEE) – que passou a certificar os cursos
executados pela Fundação (Montagem e manutenção de microcomputadores, Eletrônica com ênfase em robótica, Informática básica e Encadernação manual e artística), além da realização dos Ciclos de pré-qualificação para o mercado de trabalho. Essas e outras parcerias permitiram, em 2017, a inserção de 2.186 socioeducandos em cursos profissionalizantes em todo o estado, sem ônus para a instituição.
É importante dizer que a educação profissional não é uma “ocupação para mentes ociosas”, como é de costume ouvir dos vigilantes do ócio dos pobres, já que a ideia de que a ociosidade induz ao crime só se realiza quando em relação aos pobres. Certamente, o trabalho continua tendo uma posição central nas representações acerca da “recuperação” do agente de práticas criminalizadas; contudo, a oferta da educação profissional é prevista na execução das Medidas Socioeducativas não como mera “ocupação”, mas com o viés da integração social em que pese o aspecto formativo e as experiências vivenciadas. Para além da competência técnicaespecífica que os socioeducandos adquirem, por meio dos cursos (e que favorecem a sua futura inserção no mercado de trabalho), a educação profissional descortina horizontes diversos daqueles que os socioeducandos conheciam, abre possibilidades antes inexistentes, promove a reconstrução da autoestima e a elaboração de projetos de vida. Esse é o grande ganho que percebemos nas experiências de educação profissional desenvolvidas na Funase-PE.